Domingo, 20 de Fevereiro de 2005

Não deixaremos talvez de ser pobres

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(imagem tirada da net - 084.jpg)

O PS ganhou por maioria absoluta mas ninguém festejou. Não se viram as bandeiras de rosas, nem se ouviram os gritos de vitória e a euforia normal. Não se pode dizer que o PS tenha conseguido seja lá o que for. Não havia alternativa. Era o prato do dia. E depois, ninguém gosta de comer um prato que ninguém tinha pedido. É normal o resultado destas eleições. Como sempre foi normal nos últimos 30 anos. O voto no PS foi uma carta branca dada por pessoas sem ideologia. É o que se diz no mundo da opinião. Pessoas que afinal de contas querem apenas viver um pouco melhor. Apesar da palavra confiança continuar a ser uma palavra, já ninguém a sabe dizer bem ou sentir sequer. Mesmo "olhar para a frente" somente pode não ser boa ideia.
Estamos numa encruzilhada, como entre dois caminhos. Aqueles mesmos de Parménides. Um caminho difícil e outro fácil. O caminho fácil é sempre mais apelativo, não é preciso fazer nada, como se fosse sempre a descer. Acaba num abismo, e nós sabemos que acaba num abismo. Mas é o mais fácil. É como se esse caminho fosse o caminho da alternância democrática entre os dois maiores partidos, mais uma vez. Nada irá portanto mudar significativamente. Sim, as coisas sempre iguais, mas de outra forma. Talvez devido à lei física da irreversibilidade do tempo, a nossa experiência não será exactamente a mesma porque nada se pode repetir, mas será quase a mesma.
Apesar das mentiras de um e de outro, rumo a esse abismo, uma flor será sempre uma flor, o sol vai continuar a levantar-se de manhã, previsivelmente maravilhoso como sempre, ou talvez amanhã possa haver chuva ou apenas nuvens. E os pássaros, mesmo que tentem matá-los e eles morram, nunca conseguirão virar do avesso a história dos pássaros. Porque é impossível esquecer tudo isto. É de nós que nos esquecemos sempre, antes de mais. Mesmo a palavra confiança, que é apenas agora uma palavra, dita já no futuro, será sempre confiança. Com todas estas palavras, e mesmo com todas estas recordações e promessas impossíveis, com tudo isto ou mesmo sem nada disto, tudo será mais ou menos como antes.
A boa notícia é a subida do Bloco de Esquerda e as consequências dessa subida no partido da mesmidade, o PP. O definhamento do PP e a demissão de Paulo Portas foram boas notícias. Um dito execrável na despedida, «em nenhum país civilizado do mundo a diferença entre os trotskistas e democratas-cristãos é de um por cento». Ainda bem que as pessoas que habitam este pequeno lugar são mais internacionalistas que xenóbofas. É bom sentir que todos nós não passamos de hóspedes deste acolhimento dado pelo lugar que habitamos e que nunca pode ser de ninguém. É aconselhável a Paulo Portas a leitura de Levinas. Poderá assim perceber um pouco melhor porque perdeu todas as metas por ele estabelecidas.

fernando

publicado por ... às 23:48
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3 comentários:
De Anónimo a 25 de Fevereiro de 2005 às 01:43
Não viste as bandeiras?! Bolas, deves ter andado muito distraído... Eu vi-as, e erguidas bem alto, ao longo de toda a campanha eleitoral e no dia da vitória socialista! Posso dizer-te que as do PSD também andavam nas ruas, e quase com a mesma vontade de festa. Mas no dia das eleições ficaram em casa. Creio que o PS terá tido algum mérito no resultado, ainda mais porque é histórico. Não quero crer que só o demérito do adversário chegasse para tanto. Não defendi uma maioria absoluta, que acho desnecessária. Mas agora que está, seja! E há que ser optimista, porque se não piorar já melhorou! Até breve.Mente Despenteada
(http://mentedespenteada.blogs.sapo.pt)
(mailto:carlapteixeira@hotmail.com)


De Anónimo a 21 de Fevereiro de 2005 às 00:15
Olá, Concordo contigo na maior parte no que escreves, contudo devo dizer que estou com "vontade" de ser optimista espero que pelo menos tenhamos mais estabilidade nos próximos 4 anos e de preferência com uma maior competência que até aqui!!! Imike
(http://www.imike.blogs.sapo.pt)
(mailto:marcio.simao@oninet.pt)


De Anónimo a 25 de Junho de 2006 às 14:39
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