Domingo, 27 de Fevereiro de 2005

Morreu o fundador da Amnistia Internacional

peterbenenson.jpg
peter benenson

O fundador da Amnistia Internacional, Peter Benenson, morreu na sexta-feira à noite, no Hospital John Radcliffe, em Oxford. Tinha 83 anos. Benenson fundou a organização em 1961, quando tinha 40 anos, depois de ter lido um artigo que relatava a detenção de dois estudantes que tinham feito um brinde à liberdade num café de Lisboa.
A Amnistia, actualmente com 1,8 milhões de membros, é a mais importante organização independente de defesa dos direitos humanos.
«Ele levou a luz às prisões, denunciou o horror das câmaras de tortura e a tragédia dos campos da morte pelo mundo», disse Irene Khan, secretária-geral da organização em comunicado. «Foi um homem cuja consciência brilhou num mundo cruel e terrível, que acreditava no poder das pessoas simples fazerem mudanças extraordinárias e, ao criar a Amnistia Internacional, deu a cada um de nós a oportunidade de mudar as coisas. Em 1961, a sua visão deu origem ao activismo em favor dos direitos humanos. Em 2005, deixa atrás de si um movimento mundial em favor dos direitos humanos que não morrerá jamais», acrescentou.
O seu sentido contestatário notou-se desde muito cedo. Quando estudou em Eton, a escola da elite britânica, escrevia ao director a queixar-se da má qualidade das refeições da cantina.
Nascido a 31 de Julho de 1921, filho mais novo de um banqueiro judeu de origem russa, Peter Benenson morreu resistindo às sucessivas tentativas dos sucessivos governos britânicos de o condecorarem. Respondeu sempre com um extenso enunciado das violações da Inglaterra aos direitos humanos.

http://web.amnesty.org/library/index/engorg100012005
http://www.amnistia-internacional.pt/sobre_ai/dudh/dudh1.php

fernando

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Domingo, 20 de Fevereiro de 2005

Não deixaremos talvez de ser pobres

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(imagem tirada da net - 084.jpg)

O PS ganhou por maioria absoluta mas ninguém festejou. Não se viram as bandeiras de rosas, nem se ouviram os gritos de vitória e a euforia normal. Não se pode dizer que o PS tenha conseguido seja lá o que for. Não havia alternativa. Era o prato do dia. E depois, ninguém gosta de comer um prato que ninguém tinha pedido. É normal o resultado destas eleições. Como sempre foi normal nos últimos 30 anos. O voto no PS foi uma carta branca dada por pessoas sem ideologia. É o que se diz no mundo da opinião. Pessoas que afinal de contas querem apenas viver um pouco melhor. Apesar da palavra confiança continuar a ser uma palavra, já ninguém a sabe dizer bem ou sentir sequer. Mesmo "olhar para a frente" somente pode não ser boa ideia.
Estamos numa encruzilhada, como entre dois caminhos. Aqueles mesmos de Parménides. Um caminho difícil e outro fácil. O caminho fácil é sempre mais apelativo, não é preciso fazer nada, como se fosse sempre a descer. Acaba num abismo, e nós sabemos que acaba num abismo. Mas é o mais fácil. É como se esse caminho fosse o caminho da alternância democrática entre os dois maiores partidos, mais uma vez. Nada irá portanto mudar significativamente. Sim, as coisas sempre iguais, mas de outra forma. Talvez devido à lei física da irreversibilidade do tempo, a nossa experiência não será exactamente a mesma porque nada se pode repetir, mas será quase a mesma.
Apesar das mentiras de um e de outro, rumo a esse abismo, uma flor será sempre uma flor, o sol vai continuar a levantar-se de manhã, previsivelmente maravilhoso como sempre, ou talvez amanhã possa haver chuva ou apenas nuvens. E os pássaros, mesmo que tentem matá-los e eles morram, nunca conseguirão virar do avesso a história dos pássaros. Porque é impossível esquecer tudo isto. É de nós que nos esquecemos sempre, antes de mais. Mesmo a palavra confiança, que é apenas agora uma palavra, dita já no futuro, será sempre confiança. Com todas estas palavras, e mesmo com todas estas recordações e promessas impossíveis, com tudo isto ou mesmo sem nada disto, tudo será mais ou menos como antes.
A boa notícia é a subida do Bloco de Esquerda e as consequências dessa subida no partido da mesmidade, o PP. O definhamento do PP e a demissão de Paulo Portas foram boas notícias. Um dito execrável na despedida, «em nenhum país civilizado do mundo a diferença entre os trotskistas e democratas-cristãos é de um por cento». Ainda bem que as pessoas que habitam este pequeno lugar são mais internacionalistas que xenóbofas. É bom sentir que todos nós não passamos de hóspedes deste acolhimento dado pelo lugar que habitamos e que nunca pode ser de ninguém. É aconselhável a Paulo Portas a leitura de Levinas. Poderá assim perceber um pouco melhor porque perdeu todas as metas por ele estabelecidas.

fernando

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Quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2005

Debate a 5-1

Um debate onde só o silêncio falou. Logo no início uma parte da esquerda calou-se. Afónica. De tanto falar até agora sem que ninguém ouvisse. Sintomático da crise que vai nas ideias, e não só nas ideias. Mas continua a ter esperança essa parte da esquerda. E saiu de cena sem sair de cena. Mas outra parte da esquerda ficou para depois do intervalo. O silêncio tinha falado pouco daquilo que permanece em silêncio, dos postos de trabalho em perigo no sector têxtil e da esperança. O ruído foram os 200 balcões que não pagaram impostos por estar previsto na lei que quem tem dinheiro não paga impostos. Ficou por saber exactamente de quem é a culpa. Também não era muito dinheiro. A culpa deve ser dos outros. Do PSD não é, por causa da conjuntura internacional. Talvez a culpa não seja de ninguém, de nenhum português, salvo do Guterres, uma espécie de Vitor Baía, um boy em quem toda a gente gosta de bater de algum tempo a esta parte. Neste governo de inimputáveis convictos nunca houve culpados. Nem o PP de Paulo Portas, que delega toda a responsabilidade das coisas más no PSD.
Quanto ao resto, Santana Lopes apareceu de gravata preta. Vinha preparado para chorar. É preciso gente responsável, que pareça e que apareça, nem que seja com os filhos num dia de carnaval, vestido de primeiro-ministro, passeando pelos mesmos recantos dos jardins de São Bento, onde Salazar gostava de perder tempo a olhar tudo o que fosse pequeno. Podia ter chorado se quisesse, em directo, mas não precisou e também não havia teleponto. Era arriscado, demasiado arriscado, chorar de improviso. A vidente Lúcia tinha morrido. Já no dia anterior tinha morrido. O tempo também era pouco, não dá para tudo. Mas vinha preparado para chorar.
O presidente quer políticos responsáveis e bem preparados. Já há muito tempo que diz isso. Santana Lopes, além de ser capaz de chorar como um menino de colo, já disse que quer emagrecer o próximo governo. Sócrates não engorda desde os dezoito anos. Paulo Portas um dia destes casa para poder ter filhos. O outro já tem filhos. De outra forma só com o seu voto no Bloco de Esquerda poderá ter filhos, mas ninguém acredita que Paulo Portas o faça. No fundo, todos sabem o que é a vida, ou querem saber e querem que os outros saibam. Simpatizo com o outro, embora cometa umas calinadas quando se chateia. Embora pareça sempre chateado.
Há palavras que já metem nojo na boca dos políticos, competência, credibilidade, confiança. Paulo Portas repete-as incessantemente, sabe-as de cor e salteado. Diz que com mais de 10% o PP garante que ninguém morre neste país. Mesmo aqueles que ainda não nasceram. Tal como a igreja, o PP também defende o direito à vida. Di-lo como se ninguém mais o defendesse. Como se isso fosse uma bandeira da direita e da extrema direita. Este é um país de bandeiras. Há-as por todo o lado. Pode ser que se consiga combater o desemprego que se atingiu por estas bandas sem a esperança e sem a voz do PC. Talvez com mais bandeiras, mas ninguém sabe bem como importá-las da China antes das eleições. Não houve consenso também aqui, nem acerca da culpa nem acerca daquilo que é realmente importante, o que fazer? Segundo Sócrates é um valor trágico e a culpa é nossa, andamos para trás. Santana Lopes diz que a culpa é da conjuntura internacional, da qual somos dependentes. A culpa é sempre dos outros. Nós não temos soluções. O PC diz que temos que ter esperança, o que é pouco ortodoxo. E precisamos de um ano ou dois para que isto mude, diz Louçã. Mas ninguém sabe já lá muito bem o que são dois anos e se é muito ou pouco tempo. Ninguém sabe se daqui a dois anos é sequer no futuro.

fernando

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Terça-feira, 8 de Fevereiro de 2005

A campanha eleitoral começou

A campanha eleitoral começou ontem. A Comissão Nacional de Eleições vai gastar cerca de 350 mil euros com uma campanha contra a abstenção. Que ridículo. É verdade que as pessoas andam confusas, desesperadas, entregues a si próprias. Já não acreditam. Pensam que o oportunismo e a esquizofrenia se abateram sobre a classe política, de tal maneira que agora já ninguém sabe bem quem é quem. Quer dizer, Santana Lopes diz que sabe quem é. Mas como o "ser" é sempre o mesmo, deve então ser o mesmo Santana Lopes reaccionário e de extrema direita que andou na Universidade.
Cavaco Silva, tal como o outro (e este outro não é o outro do desconstrutivismo), também quer ou espera ou acredita que o PS ganhe as eleições por maioria absoluta. A igreja católica decidiu entrar na corrida. É a favor da vida. Que vida!? Ninguém está a gostar da intromissão, salvo o PP, que tenta capitalizar em forma de votos a ignorância e os preconceitos e toda a confusão que ainda resistem por aí, claro.
Mais um passo e vai toda a gente parar a um psicanalista qualquer, e é aí que ficamos definitivamente malucos, com atestado autêntico. E aí somos inimputáveis. Oficiais. Malucos. Ou antes, parvos, tolos. Se calhar porque não há ninguém que nos diga e que nos convença, que há leis e que as leis não são más, as fundamentais pelo menos. Bastava seguí-las. Bastava que não entrássemos numa deriva prometaica e não paríssemos leis umas atrás das outras, como se a justiça viesse sempre tarde ou como se tivéssemos esquecido a justiça. Não basta legislar. É necessário estar diante da lei, não acima da lei, ao ponto de nem sequer a vermos, escutarmos, sentirmos. As leis não são perfeitas, é certo. Nós não somos perfeitos. Mas é diante da lei que podemos aperfeiçoar o Homem e aperfeiçoar a lei. Só assim uma lei pode mudar e alcançar uma justiça mais justa. Basta que para isso sejamos um pouco racionais no que diz respeito à coisa pública. Que saibamos distinguir um demagogo numa multidão, pelo menos isso.

fernando

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Sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2005

Houve debate?

Cópia de TreinoBenfica.jpg
(imagem retirada da net)

Houve debate? alguém viu? alguém teve tempo? Ou antes, tiveram mas não quiseram desperdiçá-lo? Sabiam que no dia seguinte, hoje, até os jornais desportivos iriam referir o debate. Foi um mau jogo de futebol.
Hoje, de facto, as pessoas aperceberam-se que o grande tema verbalizado, ou seja, consciente, foi o boato, o fundamento da política, a sua causa primeira.
Mas havia um outro grande tema, que nunca foi tema, porque sempre falta, e por isso inconsciente, o do tempo. O grande problema foi sempre o problema do tempo, dos seus limites, do seu fim. Havia semáforos. Havia o tempo que restava ainda a cada um dos candidatos e o tempo que cada um dos candidatos já teve e desperdiçou. Por isso a crispação, a má disposição, os gestos excessivos e quase violentos, a ameaça de olhar olhos nos olhos, a falta de comcentração, a falta de imaginação e, por fim, o boato e a mentira. E depois, ainda havia o tempo que demoramos até nos apercebermos que afinal de contas assistir àquele debate era também uma perda de tempo.
Já não há tempo e já ninguém tem tempo, o que no sentido heideggeriano podemos caracterizar como um depositar do véu sobre a "verdade do ser". É tão fundamental o ser como o tempo, "Ser e tempo". É por isso que o boato se sobrepôs a todos os temas possíveis, porque esquecemos esse tempo sem tempo, sem começo e sem fim, infinito. O nosso tempo já não é o tempo, é uma forma de opressão, que vem dos relógios. É o tempo dos relógios que nos assusta e nos faz correr para o abismo, como genialmente satirizado no Papalagui.

fernando

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Quinta-feira, 3 de Fevereiro de 2005

Freitas do Amaral ou o oportunismo

É engraçada a forma como o PS tenta enquadrar Freitas do Amaral no seu seio ou, como agora se vai dizendo, no seu colo. No entanto, o homem, porque é uma pessoa, não me parece ser aquilo a que se convencionou chamar de "puta política". Nunca se deve reforçar uma ideia. A política por natureza é corrupção. Apesar da grande tentativa de Platão na República, nunca os políticos pensaram e nunca foram filósofos. É natural que o pântano, que Guterres nomeou sem descrever, exista. Freitas do Amaral parece ter feito recentemente, o prefácio de um livro de Garcia Pereira, sendo convidado a aparecer posteriormente no seu lançamento ao lado do fundador do MRPP, Arnaldo de Matos. Não é normal. Ou por outra, não devia ser. Parece ser tudo circunstancial. O Homem já não é ele mesmo. Aliás nunca foi. Nem sequer ele mesmo e a sua circunstância. Pura e simplesmente, o Homem já não sabe o que é. É só a circunstância. Comporta-se como um náufrago que se agarra até à atmosfera para se manter vivo.
Este é de facto um mundo pós-moderno. As ideias morreram, e as palavras já não querem dizer nada. Bem, gostaria ainda de acreditar que há qualquer coisa ainda no marxismo, e na esquerda em geral, que ainda existe e permanece ainda actual, e não é isto.

fernando

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Quarta-feira, 2 de Fevereiro de 2005

Que acabem os países e as fronteiras

iraquiano.jpg
(autor desconhecido - iraque2005.jpg)

Prefiro ler as "Margens da Filosofia" de Derrida, e ver aí quão fundamental é o Outro, a Alteridade, a Diferença. A diferença não é a desigualdade. Só existe igualdade na diferença e diferença na igualdade. Não se confunda também esta igualdade com a mesmidade, outro termo filosófico. Sim, diferença, porque ninguém sabe exactamente quem é o outro. E também ninguém parece saber ou querer saber quem é esse Eu que diz saber quem é ele próprio. Já ninguém procura saber quem é, porque quase ninguém se procura a si próprio no encontro com o outro. Nem podemos dizer já como dizia Mário de Sá Carneiro, "eu não sou eu nem sou o outro, mas qualquer coisa de intermédio", o que é bem mais fácil de dizer.
E é por isso que a honra, a glória e o orgulho desembocam na xenofobia, são a xenofobia. Como poderia dizer talvez José Mário Branco, que se foda o glória, que se foda o orgulho, que se foda a honra e, já agora, que se foda Portugal também se tiver fronteiras. Se calhar mesmo sem fronteiras, que se foda Portugal.
Gostava que o mundo não fosse feito de fronteiras e preconceitos. É aconselhável ler, e neste caso específico, ler acerca da origem da desigualdade entre os Homens. Sim, ler novamente Rousseau e concluir, tal como ele, que a origem da desigualdade entre os Homens está na propriedade, a origem das fronteiras e da xenofobia.
E continuando a citar Rousseau, é preferível ser paradoxal que preconceituoso. E é por isso que digo tal como Derrida, cosmopolitas de todo o mundo mais um esforço.

fernando

publicado por ... às 04:21
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Terça-feira, 1 de Fevereiro de 2005

Direita não

cumonismoviva[1].JPG

Enquanto a esquerda insiste em estar fora de si, distraída, perdida no erro cometido, enquanto isso, há que pensar na melhor forma de sair daqui, deste rectângulo "mal frequentado". A realidade está a ficar demasiado perigosa, pantanosa. Cada vez mais pantanosa. A esquerda já quase não é de esquerda. Basta olhar à nossa volta, para outra pessoa, para nós. Ninguém é quem é. Quando olhamos para nós de manhã quando acordamos, é como se não olhassemos. Quando alguém nos chama e não respondemos, é como se tivessemos respondido. E no entanto até podemos saber que ao esquecemo-nos do outro esquecemo-nos de nós também. É uma pena.
Isto só se aguenta se se pensar nas coisas como se não existissem. De outra forma teríamos de confrontar-nos com o tribunal da nossa própria consciência. É tudo cada vez mais aparente, mesmo a ética ou a justiça. Talvez possa haver ainda uma espécie de lugar que nunca acabe e onde não acabe a justiça. Que esse lugar exista para lá do futuro.
É por isso que isto não nos interessa e não merece a nossa atenção. Vivemos num sítio, pior do que diz o outro, onde numa mesma pessoa o fraco toma o lugar do forte. Não são precisas duas pessoas para haver uma pessoa forte e uma pessoa fraca. Basta haver uma. Aí é que está o problema. Este é um lugar onde não se pensará no futuro, porque é um lugar onde o nosso lado fraco é forte e o forte é fraco.

fernando



publicado por ... às 18:38
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